Gestão da Inovação com o Modelo A-F

Por Sandra Elisabeth

Estamos vivendo um paradoxo, onde as empresas só conseguem lucrar se forem eficientes, aplicando regras de acordo com seus planos e evitando, na medida do possível, tudo o que for impossível de ser explicado.

Essa abordagem garante lucros no curto prazo, mas, a longo prazo, apenas as empresas que se adaptam às mudanças e trazem inovação ao seu setor e mercado conseguem se manter.

Nas empresas mais inovadoras, as pessoas designadas para tarefas específicas de inovação são removidas parcial ou totalmente das operações diárias, permitindo que se concentrem exclusivamente em inovar.

Uma empresa é considerada inovadora quando combina processos de inovação independentes e os executa regularmente e a inovação contínua é a soma desses projetos.

Os estágios ou fases de um processo de inovação devem resultar da interação dos envolvidos com cada inovação, dependendo dos objetivos e da natureza do projeto, requerendo um processo e uma sequência próprios.

Por exemplo, os estágios para aprimorar um motor são diferentes dos necessários para melhorar a qualidade de um tecido.

As fases ou estágios de um processo de inovação não podem ser predeterminados, mas devem emergir da intenção de um conjunto de funções ou papéis desempenhados por certos indivíduos.

Funções essenciais para a inovação

Para inovar, a empresa deve definir as seguintes funções:

  • Ativadores: Iniciam o processo de inovação.
  • Buscadores: Especialistas em busca de informação.
  • Criadores: Produzem ideias para o grupo.
  • Desenvolvedores: Transformam ideias em produtos e serviços.
  • Executores: Cuidam da implementação e execução.
  • Facilitadores: Aprovam novos itens de despesa e o investimento necessário.
Gestão da Inovação com Modelo A-F. Fonte: Kotler e Trías de Bes

Com essas funções bem definidas e uma abordagem flexível, as empresas podem navegar pelo paradoxo da eficiência e inovação, garantindo sua sustentabilidade e sucesso a longo prazo.

Sistema total de inovação

Por Sandra Elisabeth

No livro “A Bíblia da Inovação”, de Philip Kotler e Fernando Trías de Bes, o Sistema Total de Inovação é apresentado como uma abordagem abrangente para a gestão da inovação dentro das empresas, integrando todas as áreas e processos organizacionais para fomentar uma cultura de inovação contínua e sustentável.

Sistema Total de Inovação. Fonte: Kotler e Trías de Bes, 2012

Os autores destacam que os principais componentes do Sistema Total de Inovação, representado na figura acima, são:

  • Cultura de Inovação: Promover um ambiente onde a criatividade e a inovação são incentivadas e valorizadas em todos os níveis da empresa.
  • Processos de Inovação: Estruturar processos claros e eficientes para a geração, seleção e implementação de novas ideias.
  • Gestão de Ideias: Coletar, avaliar e priorizar ideias de diferentes fontes, tanto internas quanto externas.
  • Execução Rápida: Implementar as ideias selecionadas de forma ágil para responder rapidamente às mudanças do mercado.
  • Alinhamento Estratégico: Garantir que todas as iniciativas de inovação estejam alinhadas com a estratégia geral da empresa.
  • Medição e Aprendizado: Monitorar os resultados das iniciativas de inovação e aprender continuamente com as experiências para melhorar os processos futuros.

Para apoiar a criatividade, que é central no processo de desenvolvimento da inovação, é fundamental que a equipe esteja motivada a inovar, possua pensamento criativo e tenha expertise para transformar ideias em inovações.

Tipos de Inovação

Por Sandra Elisabeth

Quando falamos de inovação, não estamos apenas pensando em novos produtos e serviços, mas também em processos e modelos de negócios que transformam mercados e nossa maneira de viver. Vamos explorar alguns tipos de inovação que estão moldando o mundo:

Tipos de Inovação

  • Inovação Radical: Cria novos mercados.
  • Inovação Disruptiva: Quebra paradigmas dos produtos já desenvolvidos.
  • Inovação Incremental: Foca na melhoria contínua dos produtos.
  • Inovação Modular: Altera módulos, mantendo a funcionalidade intacta.

Inovação Radical

A inovação radical não se contenta em melhorar o que já existe; ela revoluciona tudo! Imagine um mundo sem televisões. De repente, Philo Farnsworth surge com a invenção da TV, criando não só um produto, mas um novo mercado. Ninguém sabia que precisava de um aparelho de TV, até que ele apareceu, transformando nosso entretenimento para sempre.

Inovação Incremental

Se a inovação radical é um salto quântico, a inovação incremental é um passo contínuo em direção à perfeição. Adicionar uma nova câmera ao celular, introduzir funcionalidades em aplicativos ou lançar um novo modelo de carro a combustão são exemplos de inovações incrementais. Elas ocorrem em três níveis: básico, intermediário e avançado, cada um trazendo melhorias graduais, mas significativas.

Inovação Modular

A inovação modular se concentra em modificar componentes específicos de produtos ou processos sem alterar sua essência. Pense na evolução do armazenamento de dados: do disquete para o pen drive e, eventualmente, para a nuvem. Para que o pen drive se tornasse uma realidade, computadores e notebooks também tiveram que inovar, adicionando portas USB. A inovação modular frequentemente vem acompanhada de inovações incrementais ou radicais em outros produtos.

Inovação Disruptiva

A inovação disruptiva é aquela que destrói paradigmas antigos e coloca algo novo no lugar. Considere a transformação dos computadores pessoais: do desktop, que ficava fixo em casa, para o notebook, que nos acompanha onde quer que vamos. Essa mudança não criou um novo mercado, mas alterou fundamentalmente o produto existente, tornando-o ainda mais pessoal e acessível.

A inovação, seja incremental ou radical, é o motor que impulsiona economias e faz crescer mercados. Ela transforma setores inteiros, cria novas oportunidades e nos desafia a pensar de maneiras nunca antes imaginadas. Portanto, nunca subestime o poder de uma boa ideia e a necessidade constante de inovar.

Criatividade na Inovação

Por Sandra Elisabeth

Para inovar é necessário mudar! Não dá para fazer inovação sem mudança, pois se tudo está igual, não haverá nada de novo!

A simples mudança não significa inovação, mas não existe inovação sem mudança.

Da mesma forma, a inovação precisa de criatividade para acontecer, e a criatividade não é apenas um pensamento criativo, ela é a junção do pensamento criativo, com motivação e expertise.

O pensamento criativo é a ideia, a identificação de oportunidades não atendidas no mercado que podem se transformar em produtos e serviços inovadores.

A motivação é a vontade de transformar esta ideia em um protótipo, em uma invenção, fazendo com que o pensamento criativo se concretize.

E aqui mora um primeiro problema, pois como a motivação é intrínseca, quando se trata de empresas já consolidadas que desejam inovar, a desmotivação das equipes prejudica o desenvolvimento das inovações, reduzindo as possibilidades inclusive de novas ideias chegarem a ser discutidas pelos grupos de inovação empresarial.

É claro que quando se fala de startups, e inovações de empreendedor, a motivação existe, pois se trata de uma maneira desta pessoa empreendedora desenvolver algo que poderá ser grande, envolvendo em alguns casos até mesmo a realização de um sonho individual.

Portanto, motivação é um dos motores da inovação!

E por fim, a expertise, já que de nada adianta ter uma ideia e estar motivado, se os envolvidos não sabem como fazer para que esta ideia se transforme em um produto ou serviço.

Em empresas já consolidadas esta é uma dificuldade rara, ou facilmente contornada, seja com o desenvolvimento de inovações abertas, ou mesmo com outras equipes internas, que podem deter o conhecimento necessário para transformar a ideia em invenção e após em inovação.

Já para startups este é um ponto problemático, pois em alguns casos, o empreendedor ou idealizador não detém conhecimento técnico-científico suficiente para construir o protótipo inicial e muito menos o produto e serviço completo.

Há casos que estes empreendedores até conseguem recursos financeiros com investidores para contratarem empresas ou outras pessoas para o processo de desenvolvimento, porém, com grandes riscos de seu projeto ser copiado ou mesmo melhorado e lançado por este terceiro antes mesmo da startup idealizadora.

Porém, na maioria das vezes, o que se percebe é o empreendedor desistir da ideia, por não conseguir colocá-la em prática.

Em resumo, a criatividade é um fator importante para inovação, sendo esta criatividade estabelecida pelo pensamento criativo, motivação e expertise, e com as dificuldades encontradas tanto por startups quanto por empresas consolidadas, fica claro os motivos que dificultam tanto que a inovação aconteça.

Ideia, Invenção e Inovação: Entendendo as Diferenças

Por Sandra Elisabeth

Existe uma diferença crucial entre ideia, invenção e inovação, e essa diferença está intimamente ligada à monetização!

A ideia é a identificação de uma oportunidade de produto ou serviço presente no mercado. É o famoso momento “Eureka”, quando se descobre uma solução para as necessidades dos clientes. Enquanto essa ideia não é executada, ela permanece apenas como uma ideia inovadora.

Quando se cria um protótipo ou modelo, surge a invenção, que pode ou não ser patenteada. Mesmo transformando o protótipo em produto, ele ainda é uma invenção. Só se tornará uma inovação quando for aceito pelo mercado, ou seja, quando houver monetização!

Para que a inovação aconteça, é fundamental conhecer as necessidades e desejos do mercado que se pretende atender. Assim, após o processo de ideia e invenção, o projeto pode se transformar em uma inovação.

Existem diversos tipos de inovação: radical, disruptiva, modular e incremental. Independentemente do tipo, para ser considerada uma inovação real, é preciso que haja monetização, seja através de vendas e faturamento, ou mesmo redução de custos, no caso de inovações em modelos de negócios.

O fato é que, apesar das inúmeras patentes existentes no Brasil, o índice de inovação ainda é muito baixo. Isso ocorre porque muitos projetos não conseguem atingir seus mercados alvo, permanecendo no estágio de invenção.